rss
twitter
  •  

O Paraíso, Paes Eva e Adão

| Postado em Diversos |

1

Antes de qualquer coisa: Ah! Que orgulho de ser carioca! Orgulhoso sim de viver no paraíso denominado por alguns como São Sebastião do Rio de Janeiro. Terra de lindas paisagens e mulheres mais bonitas ainda. Cidade que consegue abrigar em poucos quilômetros de extensão vistas como a do Pão de Açúcar, Corcovado, Avenida Niemayer, Ponte Rio Niterói, Aterro do Flamengo, Vista Chinesa, Pedra da Gávea, Copacabana, Urca…enfim, o post tem limite de caracteres e chega de comprovações empíricas.

É mais do que propício, no momento atual, citarmos ainda que tais belezas e encantos nos proporcionaram algo jamais visto na história: No espaço de uma década conseguirmos sediar 4 dos mais importantes eventos esportivos do mundo: Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo de Futebol, Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos.

Porém no paraíso nem tudo foram flores. Tudo parecia tranqüilo e calmo, Eva e Adão curtiam seus dias de nudez e ausência de poluição, até que a dita cuja abocanhou a maçã, sabendo que poderia ser punida por este ato, mas afinal de contas, o que uma simples mordidinha na fruta poderia causar? Abocanhar outras coisas não seria pecado? Nada disso interessa mais, o fato é que desde então o pecado foi disseminado pelo mundo.

5 de Janeiro de 2009. Exatos 4 dias após a posse do novo prefeito da cidade do Rio de Janeiro iniciam-se as operações denominadas “Choque de Ordem” sob a alegação, do excelentíssimo Sr. Eduardo Paes, que a “desordem urbana era a raiz do problema da criminalidade e da violência”.

Já a alegação de nosso digníssimo secretário de Ordem Pública era a de que se fazia necessário “reeducar o povo carioca e devolver a legalidade ao espaço público”.  Penso eu que o advogado Paes e o economista Bethlem não tenham lido em suas graduações textos sobre Foucault, Marx, ou quem sabe alguma coisa sobre Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Debbord, Weber, e talvez até Piaget. Se os mesmos achavam pouco eruditos tais autores, não precisava muito, bastava um pequeno passeio em seus carros oficiais pela Avenida Rodrigues Alves e darem uma pequena lida em algumas pilastras pintadas por um dos maiores dos profetas: Gentileza gera gentileza! E a contrapartida, “violência gera violência”.

Desde então temos visto ações de caos “ordem” como, apreensão de mercadorias de vendedores ambulantes, tratores derrubando imóveis construídos ilegalmente, veículos de transporte alternativo sendo rebocados a revelia, guardas municipais agredindo trabalhadores informais e até placas de publicidade sendo destruídas. Não, eu não sou contra a moralização, a ética e a ordem. Mas sou veementemente contra as alegações para tais operações e a forma como as mesmas se dão.

Como tirar a fonte de renda do trabalhador informal sem gerar novas frentes de emprego? Para que derrubar imóveis se há a possibilidade de legalizá-los e usá-los com outros fins que atendam a população? Por que destruir placas de publicidade se uma legislação pode ser feita para padronizá-las de modo a não poluir visualmente o paraíso? Enfim, as alegações são erradas, as ações são erradas, está tudo errado!

Não, eu não sou burro, e sei que por trás de tudo isso existe uma máquina que gera muito, mas muito dinheiro para o estado, que é a máquina da violência. Só o episódio do helicóptero derrubado por traficantes gerou uma verba para o estado de R$250 milhões, onde grande parte dessa verba vai ser repassada para a prefeitura. Ah, e ainda vamos ganhar um novo helicóptero caveirão sem precisar mexer nessa grana! A propósito, as obras na Cidade da Música foram retomadas, obras que geraram alguns trocados pro Maia, e que agora gerarão alguma merreca para o Paes.

E as milícias? Onde entram nessa história. Vou deixar o próprio gerente do município falar, afinal uma imagem vale por mil palavras.

Sr Paes, penso que o paraíso precise sim de um choque de ordem. Mas que esse choque seja dado na educação, com investimentos nas escolas municipais, responsáveis pelo ensino básico, responsável pela educação estar do jeito que está, um outro choque nos postos de saúde, responsáveis pela atenção primária de saúde, que é deficitária que faz com que as outras esferas da saúde fiquem superlotadas e não funcionem. E quem sabe ainda um choque na cultura e no esporte, com políticas públicas que visem o bem estar de nossos jovens, dando a eles um lugar, um senso de pertencimento e, por conseguinte, uma identidade, para que não precisem se identificar com a sedução que o poder do tráfico proporciona. Será que estou falando de algo que o senhor não aprendeu nos 6 partidos políticos pelos quais já passou?

Como ler não parece ser muito o seu forte, vou parando por aqui, pois já me alonguei demais, mas antes gostaria de lançar uma pergunta: Quem seriam os culpados de tudo ter ficado tão ruim no paraíso? Eu mesmo tenho a resposta: Paes Eva e Adão!

Esse título é baseado no artigo “Cabral, Eva e Adão” do digníssimo Prof. Arthur Leal

[Conto] Timóteo e a rede alienígena – Parte I

| Postado em Contos |

3

Esse é o primeiro conto do Blog do Gato Mole.

Os pequenos contos aqui publicados não são baseados em pessoas reais, portanto: qualquer semelhança é mera coincidência (não custa avisar).

Cada conto será publicado em dois posts, publicados em dias diferentes… Fiquem atentos!

Timóteo e a rede alienígena

“Timóteo, você tá gatomoleando aí de novo! Acorda rapaz”…
Birimba era o supervisor de produção. Pela terceira vez, na mesma semana, havia encontrado Timóteo dormindo pela linha de produção.
“Já chega gato mole, é o fim da linha pra você”. Birimba deu o ultimato. Começou a passar um filme pela cabeça de Timóteo. Aquela empresa havia aberto as portas ao jovem rapaz, que estava desesperado por um emprego. Mas uma cena que sonhou há dias atrás, havia lhe colocado em xeque-mate.

Tudo começou quando um alienígena entrava pela janela do seu quarto e dizia: “Timóteo, você foi nosso escolhido para ser o embaixador da Terra. Você tem a missão de negociar conosco um futuro melhor para a vida na Terra. Você precisa usar um dispositivo móvel para conectar à uma rede Wi-Fi e entrar em contato com a gente”. Essa frase ficou martelando na cabeça de Timóteo, mesmo após acordar do sonho.
O mísero salário mínimo que ganhava como auxiliar de produção mal dava para pagar as contas de casa. Mas Timóteo resolveu comprar o tal do Iphone, em parcelas intermináveis – para caber em seu orçamento. Deixou de comprar o bujão de gás naquela semana, afinal salvar a terra era uma causa muito mais nobre do que cozinhar.
Foram exatamente quatro noites sem dormir, sentado no telhado tentando conectar à tal rede Wi-Fi alienígena. Timóteo ficava lá até acabar a bateria do Iphone, por volta das cinco da manhã. Descia para o quarto e começava a se arrumar para mais um dia de trabalho.
Antes de sair, enfiou a mão na caixa de correio e achou mais contas – a de luz e a de água. Timóteo precisava optar em não pagar uma delas, preferiu a de água, afinal precisaria de energia para carregar o Iphone e continuar em sua missão de salvar o futuro do planeta.

No quinto dia, Timóteo chegou no trabalho junto com um odor fétido. “Caiu num caminhão de lixo é seu gato mole?”, Birimba implicava. “Não senhor, é que não pude tomar banho esses dias” – Replicava Timóteo. “Cacete rapaz, além de gato mole é um belo de um porco!”. O garoto não podia mais dizer nada. Precisava do emprego, era a única salvação.

Depois do últimato de Birimba, Timóteo sabia que não poderia mais dormir no trabalho. Decidiu que aquela seria a última noite que procuraria a rede alienígena.

Quando o relógio da sala sinalizou que já era meia noite, Timóteo começou a subir a escada para o telhado. Ele já era quase um defunto entrando em decomposição. Completamente fedido e cansado, Timóteo chegou no limite… “É a última tentativa, seu.. seu… alienígena!” – dizia olhando para o céu. Sentou no mesmo canto de sempre, ligou o Iphone, ativou o Wi-Fi e… rede encontrada. Timóteo tremia dos pés à cabeça…
“Eu sabia!” gritava o fedido rapaz. Na tela do telefone, surgiu uma rede: “Rede do Planeta Glimglo Proom”.

continua…

Da Série: “Good Times…#001″

| Postado em Good Times, Séries |

0

Venho por meio desta, (rs…meu professor de português me ensinou a começar frases assim) iniciar essa maravilhosa série que nos faz lembrar das coisas boas de antigamente.

Post Número 1!!

| Postado em Diversos |

3

numero-um

Só para ser o primeiro a postar no blog..rs